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Mostrando postagens de 2018

A estrela da pesquisa em genética

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        A espécie drosophila melanogaster ou só drosófila é uma espécie de inseto díptero cuja principal característica que difere d os insetos desse grupo de outros é a presença de duas asas. Ele é um dos mais utilizados em experiências genética s , sendo um dos mais importantes organismos modelo em Biologia experimental por apresentar quatro pares de cromossomos “gigantes”, formados por várias multiplicações de filamentos de cromatina, facilitando sua observação ao microscópio.  Possuem estruturas chamadas “pufes”, que são prolongamentos da eucromatina que permite um maior contato com o citosol nuclear ativando uma área maior de DNA. Assim possibilitando um melhor manuseio do seu material genético para o estudo desejado.  O artigo apresentado aqui te m como intenção compreender qual principal relação entre o exoesqueleto e propriocepção, ou seja, capacidade em reconhecer a localização espacial do corpo, sua posição e orientação, a força exercida pelos músculos e a posição de

Cromossomo a Mais e Músculo a Menos

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       A síndrome de down, desencadeada pela trissomia no cromossomo 21, é umas das principais causas genéticas de deficiência intelectual. Dentre diversos fenótipos desencadeados pela síndrome, ressaltam-se a incapacidade cognitiva, defeitos de crescimento, problemas cardiovasculares, envelhecimento prematuro e fraqueza muscular.         O estímulo para tais fenótipos ainda não é completamente entendido, entretanto, alterações nas funções das células tronco é um potencial elo comum entre eles. Como já destacado, a fraqueza muscular é uma das alterações que acometem os portadores. Isso porque há disfunções no tecido muscular esquelético, dentre elas dificuldades na regeneração do músculo e na proliferação celular sendo causadas, sobretudo, por distúrbios nas células satélites.          Essas são células tronco comprometidas com a linhagem muscular sendo, portanto, necessárias aos processos de crescimento, diferenciação e regeneração desse tecido. Em indivíduos normais, as célu

O Cérebro Malhador

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          O metabolismo energético cerebral pode ser considerado quase totalmente oxidativo. Entretanto, seus diferentes tipos de células possuem perfis metabólicos distintos. Os neurônios são em sua maioria oxidativos, enquanto as células da glia (astrócitos e oligodendrócitos) processam glicose glicoliticamente, ou seja, produzem lactato e piruvato a partir da glicose.       Em humanos, o aumento no lactato plasmático durante o exercício ou após a administração intravenosa é oxidado pelo cérebro; e isso está associado a uma redução na utilização de glicose no cérebro e uso preferencial de lactato como substrato energético. O modelo shuttle astrocyte-neuron lactate (ANLS), pelo qual o glutamato liberado sinapticamente desencadeia a captação de glicose e a produção de lactato pelos astrócitos para o uso de neurônios é um dos fatos mais importantes dessa revisão.             Tradicionalmente considerado um produto final metabólico, marcador de patologia, ou molécula tóxica, o lac

Os microRNAs tem Função na Recuperação Muscular

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Quando se tem lesões leves ou graves ocorridas por exercícios ou traumas, o músculo esquelético consegue se recuperar muito bem. A esse fenômeno nós podemos agradecer às células-tronco, que estão sempre em repouso nos nossos músculos, prontas para agir e se diferenciar, ou seja, formar novas células, recuperando o dano causado. Os estudos presentes neste artigo feito na França, conferiram em ratos, que os chamados micro-RNAs, estão associados à diferenciação das células musculares esqueléticas e mais da metade dos microRNAs estudados foram detectados em condição biológica, o que mostra um grande repertório de microRNAs expressos nas linhagens de células musculares esqueléticas adultas. Além disso, na comparação de células em repouso, ativadas e já diferenciadas, foi visto que a expressão dos microRNAs parece estar envolvida na regulação de todos estes estados celulares testados. Foi descoberto também que os microRNAs super-expressados nas células em repouso são importantes regulador

Dor, Doideira, Destino ou Doença

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          A Síndrome Dolorosa Regional Complexa tipo I (SDRC I) é uma síndrome caracterizada pela dor crônica sintomática pós-lesão ou cirurgia. A hiperalgesia (exacerbação da sensibilidade à dor) muscular crônica é um dos sintomas mais clássicos oriundos dessa condição. O tratamento com imobilização é utilizado em aproximadamente metade dos pacientes com SDRC I, apesar de estudos revelarem que o desuso de membros saudáveis origina hiperalgesia no membro imobilizado.             As principais drogas prescritas para o tratamento de dor causada por lesão, inflamação ou neuropatia são inibidores de canal de Ca +2 α2δ, anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) e inibidores da recaptação da serotonina e noradrelina (IRSNs). Entretanto, o mecanismo pelo qual o desuso induz dor ou faz com que dor se torne crônica permanece pouco esclarecido, e um tratamento definitivo para essa condição ainda não foi desenvolvido.              O artigo publicado em 2018 na revista Science Reports, "

O Tendão de Aquiles, Muito Mais Que Um Ponto Fraco

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Existe uma complexa relação entre a ação das fibras musculares e a junta sobre a qual agem. Um exemplo disso seria o calcanhar, que teria capacidade de se dobrar pelo menos duas vezes mais do que aquilo que suas fibras musculares permitem. A capacidade de dobramento do tendão é um fator importante na determinação do deslocamento do pé em relação ao encurtamento das fibras musculares. No entanto, não se sabe os diversos mecanismos que podem causar esse dobramento. Amostras de tecido laboratoriais, ou in vitro, do tendão de Aquiles mostraram uma peculiar característica anatômica de ser quase reto longitudinalmente apesar de ambas as suas extremidades serem completamente separadas do resto do corpo. Uma explicação mecânica seria que o tendão isolado ficaria em linha reta caso fosse tensionado, porém, experimentos com amostras obtidas de tecido vivo mostram que ele tende a dobrar mesmo sofrendo contrações fortes. Através de estudos foi visto que uma obstrução causa a curvatura do ten

Mais um Passo para Entender o Sarcoma Ewing

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       O Sarcoma de Ewing é tipo raro e maligno de câncer que ossos e tecidos moles de crianças e adolescentes. Acredita-se que a causa pode ser genética e ligada a alterações moleculares nos cromossomos (moléculas constituídas de DNA e proteínas), onde uma proteína , EWSR1, comumente expressa se associa a outra FLI1, raramente expressa, gerando um conjugado (EWS-FLI1) capaz de alterar a transcrição gênica.          Durante o estudo foram realizados diversos métodos para análise genética de modo a compreender o papel destas proteínas nas vias de transcrição e reparo do DNA, através da comparação entre o comportamento de células provenientes do sarcoma de Ewing e células de fibroblastos humanos e de osteossarcoma pediátrico.           Para compreender este complexo e valioso estudo é preciso compreender o processo de transcrição do DNA, ou seja, quando informações genéticas presentes nestas moléculas são transcritas para moléculas de RNA, possibilitando que tais informações sejam

O Neurônio Viciado

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                  A oscilação lenta (SO) consiste em uma mudança de estado das células do córtex cerebral (entre polarizado e despolarizado) observada em períodos de menor atividade do cérebro, como em sono profundo ou anestesia. Os estados se alternam numa frequência na faixa de 0.2 a 1 Hz e é importante a consolidação e formação de memória de longo-prazo, através da criação e do reforço de redes neurais (principalmente de caráter dopaminérgico).                 A cocaína é um éster do ácido benzoico outrora utilizado como anestésico local, hoje conhecido como uma potente droga recreativa estimulante. A cocaína age inibindo a recaptação de diversos neurotransmissores, especialmente as catecolaminas, como dopamina (DA) e noradrenalina (NA). O reforço para sua utilização e posterior adicção se dá por estruturas que compõem o “centro de recompensa”, como a Área Tegmentar Ventral (VTA).                 Neste artigo foi   experimentado se a cocaína exerce influência sobre a SO

Os Vasos do HIPPO

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A mecanobiologia é a nova moda na ciência e o componente central das discussões é a via de sinalização HIPPO. Essa via É importância na regulação do desenvolvimento dos folhetos embrionários entre outras funções a de estimular a angiogênese, que é a formação dos vasos sanguíneos. Portanto, compreender os  efeitos desta sinalização é fundamental. Ao usar um sensor para esta via, os autores do estudo descobriram que o Receptor do Fator de Crescimento do Endotélio Vascular (VEGFR) atua como um regulador da via de sinalização hippo da seguinte forma:  A ativação do VEGFR pelo VEGF (Fator de Crescimento do Endotélio Vascular) ativa os sinalizadores PI3K/MAPK que subsequentemente inibe a LATS e ativa as proteínas efetoras (proteínas que regulam as atividades dos genes) da via de sinalização Hippo-YAP e TAZ. Essa via Hippo-YAP vem sendo relacionada à propensão de formação de tumor angiogênico.  Dessa forma, pode-se dizer que a ativação do VEGFR regula negativamente a via hippo em cé

Legalizar é a Maior Barreira Agora

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        O câncer hepático é um dos tumores mais comuns e o terceiro maior causador de mortes no mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde a incidência de câncer hepático deve aumentar até 2030. Não houve melhora significativa na sobrevivência de pacientes nas últimas duas décadas e os tratamentos atuais são aplicáveis apenas em estágios iniciais do tumor e inclui resistência tumoral, transplante, etc . No entanto há cerca de 50% de reincidência do tumor.          O mecanismo mais importante na progressão do câncer é a proliferação celular. Por esse motivo, vários estudos testaram a eficácia de agentes que, seletivamente alvejaram importantes vias de sinalização, envolvidas no controle do processo do desenvolvimento tumoral e apontaram relevante melhora no prognóstico/sobrevivência dos pacientes.          Canabinoides são lipídios mediadores originalmente isolados da planta Cannabis sativa que produzem seus efeitos ativando principalmente dois receptores acoplados à prot

Diabetes: Muito Além de Restrições Alimentares

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         A diabetes é uma doença metabólica, caracterizada por altos níveis de açúcar no sangue, todos já sabemos. Ela afeta grande parte da população e torna necessário ajustes a dieta e estilo de vida dos diagnosticados com ela. Ela também pode acarretar diversos outros sintomas e doenças menos conhecidas, como a Neuropatia Diabética. Recentemente, curiosos cientistas realizaram uma pesquisa para conhecer os efeitos da Diabetes Mellitus no funcionamento e dinâmica de músculos das mãos. Eles fizeram uma comparação entre a coordenação dinâmica dos músculos intrínsecos da mão entre diabéticos e não diabéticos para o movimento dos dedos indicador e polegar.                 Usando sensores desenvolvidos especificamente para esse estudo, foi medida a força dos músculos abdutor curto do polegar e do primeiro interósseo dorsal, relativo ao indicador, em três “exercícios”. Estes foram: relaxamento dos músculos, ou seja, mantê-los inativos por um determinado período, segurar com o i

Abordagem para o câncer em cultura 3D

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         A metástase óssea é a principal complicação da osteotrofia avançada cancros, incluindo cancro da mama, cancro da próstata, câncer de pulmão e mieloma múltiplo. Essas metástases podem causar morbidade significativa devido a eventos relacionados ao esqueleto incluindo fratura patológica, compressão da medula espinhal, dor e hipercalcemia. Além disso, lesões ósseas metastáticas contribuem para um mau prognóstico, apesar das estratégias terapêuticas atuais. Por conseguinte, é importante desenvolver novos tratamentos para a metástase óssea através de uma melhor compreensão das metástases ósseas malignas no contexto clínico.          A técnica de bioengenharia 3D para recriar microambientes em situações de metástase. Estas abordagens de bioengenharia 3D fornecem controle e kits de ferramentas representativos para modelar a dinâmica de microambientes da metástase óssea com a incorporação de células funcionalizadas, citocinas de crescimento e outros estímulos.            Esses

A Ciência da Erva

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A Cannabis sativa  é mais conhecida por seu uso não medicinal. Entretanto, esta erva contém compostos bioquímicos chamados de canabinóides, dos quais canabidiol (CBD) e   Δ 9 -tetrahidrocanabinol (THC) são os mais abundantes. Ambos componente estão sendo amplamente estudamos nas últimas décadas em vista de seus efeitos terapêuticos e imunomodulatórios. Para entender sobre seus efeitos e sua possível potencialização, foi realizado um estudo acerca da administração de CBD e THC associados a base lipídica LTC (long-chain tryglycerides) oralmente. A administração oral de CBD e THC associados à LTC obteve uma grande melhora no linfonodo mesentérico se comparada à administração sem LTC. CBD e THC atenuaram a frequência de linfócitos TCD3+, que produzem citocinas pró-inflamatórias TNF-α e IFN-ƴ. Nesse caso, THC mostrou possuir ação similar ao CBD no IFN-ƴ, porém reduziu a expressão de TNF-α. Foram testados os efeitos do CBD e THC na proliferação de células mononucleares do sangue perifé

O Periósteo e o Potencial Regenerativo Ósseo

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Não é novidade para ninguém que a população atual sofre bastante com problemas ortopédicos. Esses problemas estão intimamente relacionados com a má postura, o envelhecimento da população (que propicia enfermidades como a osteoporose), o maior número de fraturas e etc. A partir disso, novos procedimentos terapêuticos são desenvolvidos com o intuito de minimizar o tempo de recuperação dessas enfermidades.   A regeneração óssea depende da ativação de células-tronco esqueléticas que ainda permanecem mal caracterizadas. O periósteo, por sua vez, contém células com alta regeneração óssea potencial em comparação com células estromais da medula óssea / células-tronco esqueléticas. Entretanto, para possíveis tratamentos terapêuticos utilizando-se dessa estrutura, há de se entender as conformações fenotípicas do osso, bem como sua inter-relação com o periósteo. E foi nisso que a equipe que publicou esse artigo da resenha investiu, com o embasamento do melhoramento genético.         Os res

A Gravidade e a Homeostase Óssea

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        Nossos corpos são compostos de uma rede de elementos como músculos, ossos, matrizes extracelulares, células e filamentos citoesqueléticos que focalizam estresses em moléculas de transdutor-mecânico. Embora o espaço seja um ambiente único, existem paralelos claros entre voo espacial, envelhecimento e imobilização, uma vez que o osso trabecular se adapta para desenvolver arquiteturas que se assemelhem ao princípio de estresse muscular no tecido ósseo. A aceleração gravitacional fornece o mais importante estímulo para a vida na Terra. Durante o voo espacial, a microgravidade não é o único fator ambiental alterado, a radiação é também um fator muito importante a considerar quando missões espaciais a longo prazo são realizadas.          Alguns astronautas da NASA, tiveram a estrutura musculoesquelética analisada. A maioria era de homens jovens entre 25 e 55 anos de idade, que não são o grupo típico para risco de osteoporose.            A falta da carga gravitacional, de pressão

A Caça de Marcadores Genéticos em Doenças Neurodegenerativas

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        A Demência Fototemporal (DFT) e Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) estão associadas à expansão da repetição (mutação) do hexanucleotídeo no gene C9ORF72. No estudo foi o utilizado uma nova ferramenta de edição do genoma: CRISPRCas9 para compreender a forma como ocorre o nocaute (KO) da toxicidade de C9ORF74 DPR. Foram utilizados para os ensaios células humanas leucêmicas da linhagem K562 e neurônios primários cultivados em camundongos. Sendo encontrados modificações nos polímeros PR20 e GR20 levando a crer em um nocaute de genes a partir do CRISPR.                 Nos camundongos foram utilizados mecanismos de identificação do PR50 e PR20 e ao final do processo foi detectado que o nocaute da Rab7 previne a toxicidade por PR. Foi pensado que que a via de trânsito endossomal é necessária para o transporte intracelular de PR20 aplicado exogenamente, testando esta hipótese a partir do RAB7A KO em células HeLA utilizando imunocitoquímica. Foi visto que o tráfico endolissossômi

TGF- β um Alvo ou o Fim?

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Ao longo das décadas, a evolução permitiu o desenvolvimento de organismos cada vez mais complexos e, consequentemente, seus mecanismos regulatórios orgânicos seguiram a mesma lógica para permitir a melhor comunicação entre células desses seres.  Para que ocorra essa melhor interação, uma das moléculas muito importantes nesse processo é a proteína fator de crescimento transformador- β (TGF- β ), presente apenas em mamíferos e produzida por algumas células.  Algumas das funções do TGF- β é atuar como um controlador de proliferação celular, participa na formação de ossos e cartilagens, no controle do sistema imune e na cicatrização de feridas. Geralmente, o TGF- β é encontrado no organismo na forma inativa e sua ativação pode estimular ou inibir a proliferação celular. Além disso, dependendo do lugar e tempo certo no organismo, a ativação desse fator é necessária para o recrutamento de células-tronco para participar do processo de regeneração ou remodelação tecidual. Contudo, po

O Fósforo é Um Catalisador para o Crescimento das Árvores

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    Alguns elementos químicos são essenciais em diversos processos biológicos das plantas. Entretanto, a disponibilidade desses elementos no solo nem sempre é abundante. O fósforo é um deles, muitas vezes o mais escasso no ambiente. Trata-se de um elemento químico de grande importância em processos como crescimento e divisão das células, fotossíntese e até mesmo respiração. A disponibilidade desse elemento no solo impacta diretamente a produtividade primária em ecossistemas inteiros, como as florestas tropicais.        Curiosamente, nenhum estudo conseguiu explicar a manutenção desse elemento nos solos de florestas tropicais de baixa altitude. Segundo a teoria biogeoquímica, deveria haver pouco fósforo disponível por serem solos antigos e sujeitos a intempéries constantes (eventos climáticos extremos).         Então como essas florestas mantêm-se vivas e tão ricas em espécies? Pesquisadores avaliaram o crescimento de mais 541 espécies de árvores ao longo do Istmo do P